Blindado usado: como exposição ao calor e a manutenção podem afetar proteção

Os veículos blindados vão bater recorde no Brasil em 2025, com mais de 40 mil unidades.

Com a inundação de automóveis deste tipo no mercado, o segmento de usados se torna uma questão importante. Além da integridade do carro em si, há a preocupação com a blindagem, que também exige cuidados e manutenção. Especialmente em um quesito: exposição ao Sol.

O ponto do carro ficar ou não exposto a luz solar está diretamente relacionado à degradação dos componentes em si, resinas e adesivos usados no processo de proteção, aponta o Prof. Dr. Marco Colosio, especialista em materiais da SAE Brasil. E o componente que mais sofre com isso também é o mais caro em um veículo com proteção balística: os respectivos vidros.

“O tempo de vida dos materiais poliméricos, que inclui vidros blindados e adesivos, é menor quando expostos ao Sol por tempo prolongado. Há reações químicas que ocorrem em função dos raios ultravioleta, que provocam dilatação e contração”.

Fábio Rovêdo de Mello, presidente da Câmara de Blindadores da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), diz que o calor extremo pode, sim, afetar a blindagem, mas faz um adendo.

“O vidro blindado é feito também para suportar essas intempéries, mas, se possível, é melhor evitar a exposição ao calor extremo. Isso, aliás, vale para todo veículo. Uma boa blindagem não deve ter sua segurança prejudicada, perder resistência balística ou outras características em razão da temperatura”, explica.

 Blindado com mais de 10 anos é furada?

Outra preocupação é o tempo. O mercado tem como praxe estipular dez anos garantia para a blindagem.

Há uma crença de que, após esse período, a proteção perde a validade e suas características. Mas é verdade? Não necessariamente.

Fábio Rovêdo de Mello, presidente da Câmara de Blindadores da Abrablin, diz que a ‘furada’ não está no carro blindado usado com mais de dez anos de vida e, sim, na baixa qualidade da proteção balística.

“A blindagem é atemporal e pode ter a mesma alta eficiência, desde que o automóvel tenha manutenção adequada e revisões periódicas”, afirma.

O especialista em materiais da SAE Brasil diz que o tempo de garantia estabelecido é apenas uma data que tenta garantir que não aconteça a degradação, mas “pode ser mais ou até eventualmente menos”.

“É a química dos materiais e normal acontecer este processo”.

O executivo da Abrablin dá dicas para quem procura um veículo desse tipo e aponta que o primordial é verificar se o serviço de proteção foi feito por empresa autorizada pelo Exército, órgão que regula a blindagem no país.

Às vezes o barato pode sair bem caro. E, assim como automóveis “normais”, vale levantar o histórico de manutenção e de revisões, inclusive

da blindagem, que deve ser feita de tempos em tempos.

Mas também há questões mais práticas que podem fazer parte de uma checagem mais superficial.

“Verifique se há bolhas, as chamadas delaminações nos vidros, e, claro, busque ajuda de especialistas e empresas com reputação para uma análise geral no sistema aplicado e atual estado de conservação do veículo. Isso faz toda a diferença para uma compra segura”, finaliza.

FONTE: BOL

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